Infância


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 Mulheres subnutridas que recebem vitaminas e suplementos minerais durante a gravidez têm menos probabilidades de gerar bebés com baixo peso, em comparação com as mulheres tratadas apenas com suplementos de ferro e ácido fólico.

A conclusão é de um estudo publicado na edição de Janeiro da revista Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. Na amostra analisada, a taxa de baixo peso ao nascer foi de 15,2% entre os bebés de mães que receberam um suplemento de micronutrientes, contra 43,1% entre as demais.

Os recém-nascidos cujas mães tomaram vitaminas também apresentaram menor morbilidade na primeira semana de vida. A equipa acompanhou 200 mulheres com características semelhantes: gravidez entre 24 e 32 semanas e baixo peso (com índice de massa corporal abaixo de 18,5) ou baixo nível de hemoglobina (entre 7 e 9 gramas por decilitro), que indicam má-nutrição. O baixo peso ao nascer – abaixo de 2,5 quilos – é um importante indicador para a previsão de mortalidade infantil, segundo o estudo.

Este factor também aumenta o risco de a criança desenvolver doenças cardíacas, diabetes tipo 2, AVC e pressão alta. A pesquisa destaca que, em países pobres, mulheres com poucos recursos económicos têm, com frequência, deficiências em determinados micronutrientes, incluindo vitaminas C e E e complexo B. As voluntárias moravam a cerca de cinco quilómetros de um hospital na parte leste de Nova Deli, Índia, e planeavam efectuar o parto no hospital. A informação sobre as participantes, incluindo idade e peso, foi recolhida no hospital entre 1 de Maio de 2002 e 30 de Abril de 2003.

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Duas terapeutas da fala portuguesas desenvolveram um teste inovador que permite identificar precocemente problemas de linguagem em crianças entre os dois e os seis anos.

O Teste de Avaliação da Linguagem na Criança (TALC), recentemente apresentado, foi criado por Eileen Sua-Kay e Maria Dulce Tavares, duas terapeutas da fala e professoras da Escola Superior de Saúde de Setúbal e do Alcoitão, respectivamente.

O TALC constituído por um manual de examinador, um livro de imagens, um conjunto de objectos de madeira que podem ser manipulados pelas crianças e folhas de registo, nasceu da necessidade de ter um instrumento de avaliação português. Uma das vantagens é permitir despistar problemas precocemente, orientando-as para técnicos especializados.

Este novo teste vai permitir a avaliação das componentes de Compreensão e Expressão da Linguagem na área semântica (vocabulário, relações semânticas e frases absurdas), Morfossintaxe (frases complexas e constituintes morfossintácticos) e pragmática (funções comunicativas).

Numa primeira fase foi realizado um estudo exploratório com 210 crianças de ambos os sexos, entre os dois anos e meio e os seis anos de idade, residentes na área da Grande Lisboa.

Após a análise dos resultados deste estudo, foi construída uma versão definitiva do TALC realizada com 580 crianças integradas em Jardins-de-Infância, de áreas urbanas e rurais, de várias regiões do Continente: Alentejo, Algarve, Grande Lisboa, Minho e Trás-os-Montes e também nos Açores.

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As crianças com perturbações de sono têm uma maior tendência para a Depressão e Ansiedade do que as crianças que dormem tranquilamente, revela um estudo publicado no número de Janeiro da revista SLEEP – publicação oficial da American Sleep Disorders Association.

Investigadores da University of Pittsburgh School of Medicine, Pensilvânia, EUA, liderados por Xianchen Liu analisaram 553 crianças com problemas relacionados com Depressão e Ansiedade.

No grupo analisado, 72,7% das crianças com Depressão sofriam de perturbações no sono, das quais 53,5% tinham Insónia, 9% sofriam de Hipersónia e 10,1% tinham ambas estas perturbações.

As raparigas com tendências depressivas apresentavam maior tendência para ter distúrbios do sono do que os rapazes, sem que as idades apresentassem alterações significativas a estes resultados.

O estudo revela ainda que, entre as crianças com estes problemas de sono, aquelas que apresentam ambos os distúrbios têm um maior historial de doença, estando mais vezes severamente deprimidos, maior possibilidade de perda de peso, retardamento psicomotor e fatigado que aqueles têm apenas um dos problemas.

“Sabemos que a depressão está associada a problemas de sono, mas o que este estudo mostra é que, em jovens, a Insónia é o problema mais comum, e que um a combinação entre Insónia e doença do sono é um problema duplo”, disse Liu.

Jogos de Video

Os jogos de vídeo violentos estimulam nos adolescentes a actividade das regiões do cérebro ligadas às emoções e reduzem as respostas das zonas que comandam o raciocínio e o autocontrolo, segundo um estudo da Indiana University School of Medicine, EUA.

“A nossa investigação sugere que jogar certos jogos de vídeo violentos pode ter efeitos diferentes, a curto prazo, nas funções cerebrais do que jogar jogos de vídeo não violentos mas interessantes”, explica Vincent Mathews, professor de Radiologia da Indiana University School of Medicine e principal autor do trabalho.

O investigador e a sua equipa efectuaram este estudo com 44 adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, escolhidos ao acaso e sem problemas de comportamento.

Metade do grupo jogou durante 30 minutos um jogo que simulava um combate militar muito violento, enquanto a outra metade entreteve-se com um jogo não violento mas interessante.

No final da sessão, os participantes fizeram testes para medir a concentração e a inibição, enquanto o funcionamento do cérebro era observado em tempo real por Ressonância Magnética (IRM).

Os do grupo que jogou o jogo violento mostraram uma maior actividade na amígdala, sede da excitação emocional no cérebro. Em contraste, os que jogaram o não violento revelaram uma maior estimulação da parte pré-frontal do cérebro, ligada ao autocontrolo, precisou o investigador.

O conteúdo violento dos jogos de vídeo tem sido objecto de tentativas de regulamentação pelo Congresso dos Estados Unidos que, até agora, só resultaram num sistema de classificação semelhante ao utilizado para os filmes.

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Portugal precisa de mais médicos especialistas nas escolas e nas estruturas de saúde para tratarem a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), alerta o Neuropediatra Luís Borges, do Hospital Pediátrico de Coimbra, durante a reunião anual da Associação de Psiquiatria Biológica.

Entre os especialistas, Luís Borges inclui Neuropediatras, Pediatras do desenvolvimento, Pedopsiquiatras, Psicólogos e Psiquiatras para adultos devidamente informados sobre a perturbação.

“A maior parte dos médicos ainda não tem conhecimento do problema e de que ele se mantém até à idade adulta. Uma vez diagnosticado, deve ser seguido toda a vida”, realça Luís Borges, um dos membros do grupo de reflexão sobre PHDA que organizou o encontro da Covilhã.

“Portugal é hoje um dos países a nível mundial onde há maior intervenção farmacológica nestas situações, o que é preocupante”, sublinha, acrescentando que “isto acontece porque é mais fácil receitar medicamentos do que prestar apoio psico-pedagógico, que requer estruturas ao nível dos serviços de saúde que não existem”.

Para o Neuropediatra, “as escolas não têm apoios de especialistas, nomeadamente ao nível da Terapia Cognitiva e Comportamental, e era fundamental que também os hospitais e centros de saúde os tivessem”.

“É um problema que não pode ser diagnosticado por Clínicos Gerais, porque quem sofre de PHDA só tem 25% de défice de atenção puro. Tudo o resto são patologias associadas, como Depressão, Ansiedade, Doença Bipolar ou outras. Daí a necessidade de especialistas, porque as situações têm que ser avaliadas correctamente”, explica.

Crianças a Pintar

O excesso de actividades extra-curriculares em crianças não aumenta o stress, contribui antes para uma melhor organização do tempo e aumenta a auto-estima, aponta um estudo da SRCDSociety for Research in Child Development, dos EUA.

Segundo este trabalho da SRCD – desenvolvido por Joseph Mahoney (Yale University), Angel Harris (University of Texas at Austin) e Austin e Jacquelynne Eccles (University of Michigan), as actividades fora da escola ajudam a promover a auto-estima e até a melhorar os resultados académicos, dado que as crianças aprendem a organizar melhor o tempo e fazem novos amigos. Entre estes jovens há também menos fumadores e toxicodependentes.

O estudo foi realizado nos EUA e acompanhou, da infância à idade adulta, 695 jovens de diferentes estratos sociais. O trabalho concluiu ainda que as actividades organizadas não ocupam assim tanto tempo e que os miúdos até perdem mais horas frente ao computador ou à televisão.

Em média, as crianças entrevistadas gastavam cerca de cinco horas por semana em actividades como o desporto, a música ou artes. O trabalho também revelou que as crianças não participam em actividades por pressão dos pais ou outros adultos, mas antes porque querem.