Janeiro 2007


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A reconstrução do vírus de gripe de 1918 permitiu a um grupo de cientistas confirmar que os efeitos daquela pandemia são semelhantes aos efeitos da variante da Gripe das Aves (H5N1), segundo um estudo publicado na revista Nature.

No estudo foram infectados vários macacos com uma reconstrução do vírus da chamada “Gripe Espanhola” (de 1918), tendo os resultados confirmado que a reacção selvagem e descontrolada do sistema imunitário dos macacos, que em poucos dias, levou à destruição dos seus pulmões, foi similar à ocorrida nas 161 pessoas que pereceram desde 2003 devido à Gripe das Aves.

Segundo os cientistas, a reconstrução do vírus de 1918, que dizimou a população mundial provocando mais de 50 milhões de mortos, foi possível através dos genes extraídos dos tecidos de algumas vítimas. Um dos autores do estudo, Yoshihiro Kawaoka, afirmou que “o que se vê nos macacos infectados com o vírus de 1918 é também o que se vê com o vírus H5N1, pelo que esta variante da Gripe das Aves também pode originar uma pandemia mundial da mesma dimensão da de 1918″.

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O primeiro transplante de útero nos EUA pode vir a ser feito no final de 2007, noticiou o jornal “Washington Post”, citando Guiseppe Del Priore, médico do New York Downtown Hospital.

Actualmente, a equipa liderada por Guiseppe Del Priore examina várias mulheres que queriam ter a possibilidade de ter filhos, apesar de terem sido submetidas a Histerectomia, devido a cancro ou por outros problemas de saúde.

No entanto, este tipo de transplante tem provocado objecções por parte de médicos especializados em transplantes e de especialistas na área da reprodução. Os especialistas temem que este tipo de processo não tenha sido suficientemente experimentado em animais e que possa pôr em risco a vida da mulher e do feto.

“Isto levanta um conjunto de questões médicas e éticas muito difíceis”, segundo Thomas Murray, que dirige o Centro Hastings, um instituto de reflexão bioética.

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A Ordem dos Médicos (OM) denunciou quinta-feira que existem profissionais estrangeiros a realizar partos e outras urgências obstetrícias em hospitais públicos portugueses sem a necessária especialização.

Em conferência de imprensa, elementos do Conselho Regional do Sul da OM exemplificaram com o caso do Hospital Amadora-Sintra, onde foram identificados sete profissionais nestas condições. Trata-se de médicos oriundos de países de fora da União Europeia como Brasil, Palop (Países de Língua Oficial Portuguesa) ou de Leste que, apesar de alegarem que têm a referida especialização nos países de origem, ainda não a obtiveram ou viram recusada a equivalência em Portugal, que só pode ser dada pela OM.

Estes profissionais, apesar de estarem inseridos em equipas com médicos especialistas, não têm formação na especialidade que exercem (Obstetrícia e Ginecologia) e, por isso, não podem realizar actos médicos nestas áreas, sobretudo nos serviços de urgência.

A OM diz que há mais casos além do Amadora-Sintra e anunciou que pediu uma “avaliação sistemática” de todas as equipas de Ginecologia e Obstetrícia nos hospitais portugueses.

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Investigadores brasileiros vão iniciar em Fevereiro testes da eficiência contra a transmissão do vírus do HIV de um gel extraído de uma substância encontrada em algas marinhas. Os investigadores vão iniciar a segunda fase de testes de um gel feito de uma substância isolada de uma alga marinha (Dictyota pfaffii), encontrada no litoral brasileiro.

“Nesta fase, vamos fazer testes em ratos e em células também vivas do colo do útero”, disse o investigador Luiz Castello Branco, coordenador do estudo, em declarações ao jornal Folha de São Paulo.

Na fase inicial do projecto, que ocorreu nos últimos três anos, a eficiência do medicamento para evitar a transmissão do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) foi de 95 por cento.

«Vamos, com certeza, chegar ao produto final com uma eficiência superior a 50 por cento», afirmou Castello Branco, coordenador da equipa de investigadores de três instituições brasileiras.

Segundo o investigador, estudos feitos em África indicam que um produto com uma eficiência de 30 por cento já seria suficiente para diminuir em 40 por cento o número de casos no continente mais afectado pela SIDA.

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Segundo um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), um simples teste sanguíneo pode prever a forte probabilidade de risco de Enfarte do Miocárdio, AVC e a morte de doentes que sofram de Doenças Cardiovasculares.

Esta investigação feita pela University of California em São Francisco, EUA, junto de 987 homens e mulheres que tinham problemas cardíacos estáveis, revelou que, quanto mais altos os níveis sanguíneos da proteína NT-proBNP, maior o risco de morte, de Enfarte do Miocárdio e AVC.

A proteína NT-proBNP é um marcador sanguíneo da hormona BNP, cuja concentração “aumenta no momento de um Ataque Cardíaco ou de stress”, explicou a líder da investigação Mary Whooley.

“Quando as paredes cardíacas se dilatam excessivamente à custa de um grande volume de sangue ou são estragadas por um fluxo de sangue insuficiente, a hormona BNP aumenta e por causa dela a proteína NT-proBNP“, prosseguiu Whooley.

Os participantes do estudo foram repartidos em quatro grupos, conforme o seu nível de NT-proBNP no sangue e seguidos em média 3,7 anos cada um. Durante a investigação, 26% faleceram ou tiveram um acidente cardiovascular.

O risco de morte ou de se ter um Enfarte do Miocárdio ou AVC é 3,4 vezes maior nos grupos de pacientes com uma taxa sanguínea de NT-proNBP, do que nos grupos com uma taxa mais baixa.

A grande vantagem deste marcador é de “ajudar a identificar os pacientes que sofram de doenças cardiovasculares sem fazer tratamentos agressivos”, comentou a médica.

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Não é a galinha dos ovos de ouro mas podem valer ouro os ovos das galinhas produzidas pelo Roslin Institute, Escócia.

O mesmo instituto que trouxe ao mundo a ovelha Dolly surpreende agora com a criação de galinhas geneticamente modificadas com a capacidade de pôr ovos com proteínas necessárias ao combate ao cancro.

Os cientistas afirmam que conseguiram criar já cinco gerações de aves com níveis uilizáveis de proteínas anti-cancerígenas na claras dos seus ovos. Este estudo pode levar a que drogas e medicamentos no combate ao cancro se tornem mais acesséveis, fáceis de produzir e muito mais baratos.

O professor Harry Griffin, director do instituto, acredita que uma dos problemas da medicina dos nossos dias é o facto de muitos medicamentos e tratamentos serem muito caros. “A ideia de produzir as proteínas necessárias para esses tratamentos em bandos de aves que põem ovos significa que se podem produzir em grande quantidade, de uma maneira pouco dispendiosa e usando como matéria prima, literalmente, apenas comida de galinha.”

Apesar de já terem produzido mais de 500 aves, o instituto afirma que teste clínicos só serão possíveis nos próximos 5 a 10 anos.

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Um equipa da California University publicou na Proceedings of the National Academy of Sciences aquela que so pode tornar numa nova esperança no tratamentodo cancro.

A técnica descoberta impede que o tumor tenha acesso ao oxigénio e nutrientes necessários ao seu desenvolvimento e crescimento.

Os cientistas conseguiram recriar a acção das plaquetas sanguíneas do sangue para criar coágulos no vasos sanguíneos que alimentam o tumor, impedindo-o, desta maneira, de ser alimentado.

Uma técnica semelhante é já actualmente utilizada, embora com uma eficiência ainda relativamente baixa. Os cientistas acreditam que neste novo estudo conseguiram amplificar este efeito, criando uma partícula que se une esfecificamente apenas a proteínas relacionadas com tumores, evitando assim que estes coágulos surjam noutras áreas não cancerígenas.

Os testes mostraram que, em ratinhos, estas partículas conseguiam bloquear o fornecimento de nutrientes a tumores sem danificar outros tecidos, no espaço de algumas horas.

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 Portugal e Espanha vão fazer no segundo semestre deste ano um teste conjunto aos seus planos nacionais contra uma eventual pandemia da Gripe para aperfeiçoar a sua articulação.

A decisão resultou do primeiro encontro da Comissão de Acompanhamento Paritária criada no âmbito da cooperação luso-espanhola em matéria de Saúde, que decorreu quarta-feira em Évora, onde foi também estabelecida a necessidade de “estreitar a colaboração em matéria de políticas farmacêuticas e de investigação biomédica”.

Os testes deverão arrancar já em Junho de 2007.

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 Mulheres subnutridas que recebem vitaminas e suplementos minerais durante a gravidez têm menos probabilidades de gerar bebés com baixo peso, em comparação com as mulheres tratadas apenas com suplementos de ferro e ácido fólico.

A conclusão é de um estudo publicado na edição de Janeiro da revista Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. Na amostra analisada, a taxa de baixo peso ao nascer foi de 15,2% entre os bebés de mães que receberam um suplemento de micronutrientes, contra 43,1% entre as demais.

Os recém-nascidos cujas mães tomaram vitaminas também apresentaram menor morbilidade na primeira semana de vida. A equipa acompanhou 200 mulheres com características semelhantes: gravidez entre 24 e 32 semanas e baixo peso (com índice de massa corporal abaixo de 18,5) ou baixo nível de hemoglobina (entre 7 e 9 gramas por decilitro), que indicam má-nutrição. O baixo peso ao nascer – abaixo de 2,5 quilos – é um importante indicador para a previsão de mortalidade infantil, segundo o estudo.

Este factor também aumenta o risco de a criança desenvolver doenças cardíacas, diabetes tipo 2, AVC e pressão alta. A pesquisa destaca que, em países pobres, mulheres com poucos recursos económicos têm, com frequência, deficiências em determinados micronutrientes, incluindo vitaminas C e E e complexo B. As voluntárias moravam a cerca de cinco quilómetros de um hospital na parte leste de Nova Deli, Índia, e planeavam efectuar o parto no hospital. A informação sobre as participantes, incluindo idade e peso, foi recolhida no hospital entre 1 de Maio de 2002 e 30 de Abril de 2003.

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Duas terapeutas da fala portuguesas desenvolveram um teste inovador que permite identificar precocemente problemas de linguagem em crianças entre os dois e os seis anos.

O Teste de Avaliação da Linguagem na Criança (TALC), recentemente apresentado, foi criado por Eileen Sua-Kay e Maria Dulce Tavares, duas terapeutas da fala e professoras da Escola Superior de Saúde de Setúbal e do Alcoitão, respectivamente.

O TALC constituído por um manual de examinador, um livro de imagens, um conjunto de objectos de madeira que podem ser manipulados pelas crianças e folhas de registo, nasceu da necessidade de ter um instrumento de avaliação português. Uma das vantagens é permitir despistar problemas precocemente, orientando-as para técnicos especializados.

Este novo teste vai permitir a avaliação das componentes de Compreensão e Expressão da Linguagem na área semântica (vocabulário, relações semânticas e frases absurdas), Morfossintaxe (frases complexas e constituintes morfossintácticos) e pragmática (funções comunicativas).

Numa primeira fase foi realizado um estudo exploratório com 210 crianças de ambos os sexos, entre os dois anos e meio e os seis anos de idade, residentes na área da Grande Lisboa.

Após a análise dos resultados deste estudo, foi construída uma versão definitiva do TALC realizada com 580 crianças integradas em Jardins-de-Infância, de áreas urbanas e rurais, de várias regiões do Continente: Alentejo, Algarve, Grande Lisboa, Minho e Trás-os-Montes e também nos Açores.

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