Novembro 2006


 Médicos

Em comunicado, o Ministério da Saúde dá conta que terminaram as negociações com os dois sindicatos dos clínicos – a Federação Nacional dos Médicos e o Sindicato Independente dos Médicos – sobre o trabalho prestado pelos médicos nas urgências das unidades do Serviço Nacional de Saúde.

Deste processo resultou um projecto de diploma “transitório”, devendo a matéria voltar a ser abordada quando for revista a legislação que enquadra o exercício profissional dos médicos, sustenta o Ministério da Saúde (MS).

No documento, o MS salienta alguns pontos acordados com os sindicatos, nomeadamente que é “ampliada a mobilidade na prestação de trabalho médico normal ” entre os serviços de urgência do SNS, “para contemplar situações de carência de recursos humanos”.

Os médicos que possuem o regime de trabalho de 35 horas semanais (o que implica não ter dedicação exclusiva ao SNS) passam a poder ser dispensados do trabalho extraordinário nas urgências hospitalares, a seu pedido, por períodos mínimos de um ano.

Porém, os clínicos que optem por esta dispensa “ficam inibidos de serem contratados, directa ou indirectamente, para exercer funções, no seu ou em outros locais do SNS“.

Esta dispensa pode também ser suspensa “em situações excepcionais, reconhecidas por despacho ministerial, se estiver em causa o interesse público no acesso dos doentes aos cuidados de saúde”.

Os sindicatos e a tutela acordaram também regras para que os clínicos possam aceder ao regime de trabalho da dedicação exclusiva (equivalente a 42 horas semanais), passando a decisão a depender de um despacho da direcção do hospital ou centro de saúde, justificada pelo interesse do serviço.

Dia da Memória

A Estrada Viva – Liga contra o Trauma, membro da FEVRFederação Europeia de Vítimas das Estradas, celebrar este domingo o Dia da Memória. Em Portugal é a quinta vez que é tomada esta iniciativa.

Em comunicado, a Estrada Viva – Liga contra o Trauma promete continuar “a lutar para que, no nosso país, seja celebrado o Dia da Memória” e, acrescenta, lamentando “o simples facto de, até hoje, não haver nenhum memorial nacional às vítimas da guerra civil nas estradas.”

“Dizer que não esquecemos é, sobretudo, dizer: não esqueçamos. É estar do lado de uma cultura da vida contra uma cultura de morte. Preservar a memória não é apenas salvaguardar o passado: é também intervir no presente, e tentar moldar o futuro. No caso de vidas perdidas de modo violento pode então ser mesmo propedêutico.”

Este ano, o Dia da Memória será celebrado em vários pontos do país.

Em Vila Real serão lançados balões com mensagens das crianças para “alguém lá no céu”, haverá uma exposição fotográfica e várias intervenções, desde o Presidente da Câmara de Vila Real ao lançamento do livro Memoriais de Beira de Estrada.

Em Évora poder-se-á assitir à inauguração do Jardim da Memória e a um Concerto no teatro municipal Garcia de Resende. Haverá também um Passeio Seguro Percurso entre a Sé e o jardim da Memória pelas 10h30.

Os balões também estarão presentes em Lisboa, brancos, em Memória das Vítimas e será lançado o símbolo da sinistralidade rodoviária – Um Laço. A divulgação/ distribuição será efectuada nos 3 grandes centros comerciais de Lisboa.

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O que escolhemos para comer pode determinar o risco de desenvolver alguns cancros mais comuns, concluíram vários estudos apresentados esta semana numa reunião em Boston.

As mulheres que comem bastante soja, sobretudo em crianças, poderão ter um risco de cancro de mama sensivelmente mais baixo, segundo um estudo. Já o consumo diário de carnes vermelhas parece aumentar para quase o dobro o risco de desenvolver este tipo de cancro, embora este risco possa estar associado à administração de hormonas de crescimento ao gado nos Estados Unidos da América, prática já abolida na União Europeia.

Outros estudos sugerem que os homens que comem uma dieta rica em peixe poderão ter menos risco de cancro colo-rectal e os homens fumadores que comem alimentos com concentrações elevadas de vitamina E – nozes, cereais e vegetais de folha verde – poderão ter menos risco de desenvolver as formas de cancro relacionadas com o tabaco.

Em conjunto, estas pesquisas oferecem algumas das maiores evidências de uma ligação entre a dieta e o cancro, afirmam os autores do estudo.

“Este é o primeiro estudo a relacionar a exposição à soja na infância e o risco de cancro, na idade adulta. Sugere que realmente há um efeito biológico da soja, e estamos muito entusiasmados”, afirmou a Dra. Larissa Korde, do U.S. National Cancer Institute.

Rastreio

O 8º Simpósio da Fundação Portuguesa de Cardiologia deu a conhecer os primeiros dados relativos ao estudo “Coração Seguro“, um projecto de rastreios que está a percorrer os centros de saúde do país e que pretende avaliar o risco cardiovascular dos portugueses.

Até ao momento, este projecto já passou por 156 centros de saúde e avaliou os factores de risco de cerca de 4600 pessoas.

Os dados dão conta de que mais de metade dos utentes dos centros de saúde do território nacional têm a tensão e o colesterol elevados.

De acordo com Luís Negrão, 57 por cento dos utentes tinham a tensão arterial superior aos 14/9 recomendados.

Um terço destes desconhecia que tinha valores elevados, mas os restantes sabiam, afirmou, acrescentando que os resultados verificados “deixam os clínicos preocupados”.

“As pessoas sabem que têm tensão alta, andam medicadas e mesmo assim continuam com os valores acima dos recomendados, o que é muito grave”, considerou.

Entre os diabéticos a situação também “é preocupante”, segundo o médico, que afirma terem sido detectados 85 por cento de pessoas com tensão alta, três quartos dos quais com conhecimento do problema e a maioria (98 por cento) medicada.
Luís Negrão adiantou que a situação é idêntica no que respeita ao colesterol, já que 56 por cento das pessoas sabiam que tinham os valores elevados. Mais de metade destes estavam medicados, mas a maioria continuava com o colesterol acima das recomendações.

“Esta situação é grave para o doente pelo risco que corre de doença cardíaca a curto prazo, e é grave do ponto de vista do Serviço Nacional de Saúde, porque comparticipamos o tratamento de doenças, cujos resultados ficam aquém do que deveriam estar”, afirmou.

Para Luís Negrão, as pessoas ainda estão pouco instruídas sobre os problemas da sua saúde e a responsabilidade do seu tratamento não é apenas do médico, é “cada vez mais do doente”.

As recomendações que a fundação deixa são simples: “Fazer o que o médico manda, constatar se está a surtir efeito e, se estiver, manter. Se não estiver, tentar perceber o que está a correr mal no tratamento e corrigir”.

Por dia, morrem no nosso país, 61 mulheres e 51 homens na sequência de doenças cardiovasculares (cerca de cinco pessoas por hora), o que representa 44 por cento da mortalidade total da mulher em comparação com 34 por cento do homem.

DPOC

A primeira associação portuguesa para apoiar pessoas com Doenças Respiratórias Crónicas foi criada ontem, dia 15 de Novembro, no âmbito do Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

O lançamento da Associação Portuguesa das Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Organização Mundial para a DPOC - Gold.

A iniciativa decorreu na sede da SPP, em Lisboa, e procurou sensibilizar a sociedade portuguesa para as necessidades e carências específicas destes doentes e seus familiares.

A associação, que incorpora todas as patologias das doenças respiratórias, permitirá uma melhor divulgação da informação e do seu impacto e garantirá maior cooperação para melhorar a qualidade de vida dos doentes, adianta o comunicado da SPP.

De acordo com o relatório mundial anual da Organização Mundial de Saúde, cerca de 600 milhões de pessoas no mundo sofrem de DPOC, dos quais três milhões acabam por morrer todos os anos.

Segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, em Portugal esta doença atinge 5,56% da população.

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Portugal precisa de mais médicos especialistas nas escolas e nas estruturas de saúde para tratarem a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), alerta o Neuropediatra Luís Borges, do Hospital Pediátrico de Coimbra, durante a reunião anual da Associação de Psiquiatria Biológica.

Entre os especialistas, Luís Borges inclui Neuropediatras, Pediatras do desenvolvimento, Pedopsiquiatras, Psicólogos e Psiquiatras para adultos devidamente informados sobre a perturbação.

“A maior parte dos médicos ainda não tem conhecimento do problema e de que ele se mantém até à idade adulta. Uma vez diagnosticado, deve ser seguido toda a vida”, realça Luís Borges, um dos membros do grupo de reflexão sobre PHDA que organizou o encontro da Covilhã.

“Portugal é hoje um dos países a nível mundial onde há maior intervenção farmacológica nestas situações, o que é preocupante”, sublinha, acrescentando que “isto acontece porque é mais fácil receitar medicamentos do que prestar apoio psico-pedagógico, que requer estruturas ao nível dos serviços de saúde que não existem”.

Para o Neuropediatra, “as escolas não têm apoios de especialistas, nomeadamente ao nível da Terapia Cognitiva e Comportamental, e era fundamental que também os hospitais e centros de saúde os tivessem”.

“É um problema que não pode ser diagnosticado por Clínicos Gerais, porque quem sofre de PHDA só tem 25% de défice de atenção puro. Tudo o resto são patologias associadas, como Depressão, Ansiedade, Doença Bipolar ou outras. Daí a necessidade de especialistas, porque as situações têm que ser avaliadas correctamente”, explica.

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A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) assinala o Dia Mundial da Diabetes, que se comemora hoje, 14 de Novembro, com um conjunto de iniciativas, desde rastreios gratuitos, ao lançamento de um livro.

Os rastreios vão decorrer até ao dia 17 de Novembro, das 10h00 às 22h00, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Durante estes dias, os interessados poderão fazer uma Avaliação da Condição Física: medição da glicemia, da pressão arterial, o Índice de Massa Corporal (peso e altura), e o Índice de Massa Gorda. No final, os técnicos de saúde presentes vão explicar os resultados e prestar aconselhamento.

O lançamento do livro “No Pico da Liberdade” ocorrerá hoje pelas 18h30 na Fnac do Centro Comercial Colombo.

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Um relatório divulgado por médicos do britânico Royal National Institute for the Blind afirma que as pessoas obesas têm o dobro de probabilidade de se tornarem completamente cegas.

O estudo alerta para o facto de, todos os anos, milhares de pessoas perderem a visão devido à alimentação pouco saudável, ao Tabagismo ou ao Sedentarismo. Devido ao entupimento das artérias com gordura, as vitaminas que previnem os danos celulares não conseguem chegar aos olhos em quantidades suficientes, prejudicando a visão.

Os danos causados à retina podem ser irreversíveis. “Quanto mais cedo se preocupar em ter um peso saudável e uma dieta adequada, maiores serão as probabilidades de proteger a visão, que é algo precioso”, refere o director de políticas da Royal National Institute for the Blind, Steve Winyard.

O relatório divulgado pelos Oftalmologistas chama a atenção para o risco que os obesos têm de desenvolver Diabetes, outra doença que causa problemas de visão. Actualmente, a maioria dos tratamentos disponíveis para recuperar a visão só funcionam se os problemas são detectados atempadamente.

Crianças a Pintar

O excesso de actividades extra-curriculares em crianças não aumenta o stress, contribui antes para uma melhor organização do tempo e aumenta a auto-estima, aponta um estudo da SRCDSociety for Research in Child Development, dos EUA.

Segundo este trabalho da SRCD – desenvolvido por Joseph Mahoney (Yale University), Angel Harris (University of Texas at Austin) e Austin e Jacquelynne Eccles (University of Michigan), as actividades fora da escola ajudam a promover a auto-estima e até a melhorar os resultados académicos, dado que as crianças aprendem a organizar melhor o tempo e fazem novos amigos. Entre estes jovens há também menos fumadores e toxicodependentes.

O estudo foi realizado nos EUA e acompanhou, da infância à idade adulta, 695 jovens de diferentes estratos sociais. O trabalho concluiu ainda que as actividades organizadas não ocupam assim tanto tempo e que os miúdos até perdem mais horas frente ao computador ou à televisão.

Em média, as crianças entrevistadas gastavam cerca de cinco horas por semana em actividades como o desporto, a música ou artes. O trabalho também revelou que as crianças não participam em actividades por pressão dos pais ou outros adultos, mas antes porque querem.

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O tamanho médio dos pés dos portugueses está a aumentar. Os especialistas acreditam que a alimentação e a prática de desporto podem estar na origem do crescimento.
É quando se entra na adolescência que os tamanhos disparam. A tendência abrange quer rapazes, quer raparigas e tem vindo a acentuar-se nos últimos anos.

Sem afastar a possibilidade de ter ocorrido uma modificação genética na população portuguesa, nas últimas décadas, os médicos apontam várias razões para o maior desenvolvimento corporal dos jovens. Entre elas destacam, sobretudo, uma melhor alimentação, associada à prática desportiva.

“Vários estudos que foram feitos de censos demonstraram que algumas décadas atrás, a altura dos portugueses era bem menor do que é hoje em dia. Consequentemente, se temos uma altura maior, é natural que tenhamos de ter uma base de sustentação do corpo também maior”, explica o ortopedista Pedro Magro.

A procura de tamanhos grandes ainda nem tem comparação com o que se passa noutros países. É que, a olhar para os resultados de um estudo, os portugueses são o segundo povo mais baixo da Europa.

Apenas os malteses são mais baixos que os cidadãos portugueses. Por outro lado, os holandeses são os mais altos da Europa.

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